Entrevista ao Professor Laurindo Martins
Olá Laurindo, Boa Tarde…
Laurindo: Boa Tarde…
Em que ano foi criado o CEM e quais os motivos que o levaram a cria-lo? Laurindo: Ora bem eu julgo que foi em 2005 quando eu cheguei á D. Afonso Henriques, eu tinha estado dez anos em braga, escolas mais distantes, portanto na medida em que fiquei perto de casa, isso possibilitou-me ter mais tempo e criar um projecto. Alguns alunos mostraram se interessados, essa motivação inicial foi no fundo o que me deu motivação para começar porque vi que dali podia nascer alguma coisa. E começamos e acho que correu bem.
Acha que a escola promove suficientemente a actividade cultural?Laurindo: Na verdade na D. Afonso Henriques nunca me foi recusado nada. Fiz sempre o que quis em termos culturais. Fui sempre apoiado pela direcção.
Agora, se se desenvolve suficientemente em termos culturais, acho que isso parte da equipa que está na escola. Lembro me do primeiro ano, tínhamos professores bastante pró- activos, e fez-se muita coisa. Entretanto alguns saíram, e a coisa começou a desvanecer, digamos assim.
Suficiente é relativo. Talvez dentro do humanamente possível e das limitações pessoais e horários de cada professor.
Desde quando se começou a interessar pelas artes? (e/ou mais concretamente, pela música)Laurindo: Ora bem… eu comecei a interessa me primeiro pela poesia. Comecei a escrever poesia muito cedo, com 11 anos, se é que se pode chamar poesia aquilo, mas gostava e fazia, era uma motivação…
Entretanto o meu pai um dia lembrou-se, eu tinha 13 anos, e pôs- me num curso de teclado.
Entretanto comecei a tocar guitarra também, prai com 14
Entretanto na altura, na altura dos Nirvana, sobre a geração dos Nirvana, aqui em Santo Tirso havia muitas bandas de garagem… garagem sim, garagem não…E nos ensaiávamos e tocávamos uns com os outros e divertíamo-nos.
Basicamente o meu interesse pela arte, pela música, foi um bocado no início numa componente mais lúdica.
Na verdade se calhar não tocava nada, na altura e agora se calhar continuo a tocar nada mas agora tenho consciência do pouco que toco.
Mas, diverti me muito e acho que foi por isso. Foi desde aí que me comecei a interessar me pela música.
Considero neste momento que algumas das competências cognitivas que tenho, emergiram do facto de estar ligado á música, em termos d criatividade… Atenção não estou a dizer que sou criativo mas seria menos se não tivesse ligado á música.
Quais são as suas influências?
Laurindo: Ora bem em primeiro lugar The Doors. Foi a banda que digamos… que marcou me mais quando eu tinha 13, 14 anos. Absolutamente apaixonado pelos Doors.
Depois começou, lá está, aquela influência de Seattle, o grunge.
Entretanto comecei a gostar de Pink Floyd. Detestava Pink Floyd até que me mostraram quem são os Pink Floyd, comecei a gostar muito.
Entretanto fui aprendendo a tocar, um bocado mais, um bocado mais até que cheguei ao jazz.
Gosto muito de jazz, apesar de ter consciência que não um sou guitarrista de jazz. Sei algumas coisas em termos teóricos, precisaria de passar para as mãos, digamos assim.
Gosto muito de Charlie Parker.
Alguma vez chegou a ter planos ou ideias para desenvolver a actividade cultural, recusadas pela escola?
Laurindo: Não, nunca me recusaram nada na D.Afonso Henriques. Graças a Deus sempre fiz o que me apeteceu lá. Em relação a propostas sempre foram abertos. Agora é claro que tentei expandir a cultura fora da escola a nível pessoal. E sim, formei a Associação Cultural Estação das Artes, como co-fundador, prai á 5 anos…como diz o Guterres ‘é fazer as contas’ e depois o Estúdio 3. O estúdio 3 acabou por ser uma extensão da associação, uma escola pequena no princípio, agora está a crescer. Aqui em Santo Tirso está a ter algum peso se compararmos com as outras escolas e os alunos que temos aqui. Acho que estamos bem.
No âmbito do espaço da estação das artes, chegamos a apresentar vários espectáculos em parceria com a câmara municipal de Santo Tirso. Fizemos algumas coisas mas o pessoal dispersou-se, o pessoal foi para Madrid ou para o Porto estudar…
Qual o seu maior motivo de orgulho do trabalho que fez até hoje?
Laurindo: O meu motivo de orgulho é que sei que para algumas pessoas tornei me inolvidável, nunca mais se vão esquecer de mim.
Sim, acho que é um conceito diferente. É um conceito de partilha. Eles têm aulas mas há muito tempo em que podem partilhar influências, experiências, mostrar músicas uns aos outros, até por vezes ensinar o instrumento que estão a tocar. Temos aqui guitarristas que sabem dar uns toques de bateria porque o aluno x ensinou-o.
Se estou orgulhoso? Não sei se é motivo de orgulho. Acho que qualquer um seria capaz de fazer isso, simplesmente fui eu que tive a ideia.
Agora estou orgulhoso da equipa que tenho a trabalhar comigo. Acabou por ser uma selecção natural como é óbvio, mas são todos muito boas pessoas, damo-nos muito bem, partilhamos também, aquilo que sabemos, aquilo que gostamos… e aí sim, nisso tenho orgulho, na equipa que trabalha comigo.